terça-feira, 8 de janeiro de 2019

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

De Geração em Geração

Ainda te lembra de quem te levou a ver os jogos na Medideira?

Um daqueles domingos solarengos onde na cidade já se ouvia a musica do estádio colocada pelo Helder, aquela marcha militar chamando as pessoas para aquele cantinho da Amora  fazia crer que naquele dia  havia uma paixão Amorense que nos chamava para a Medideira.

Nesses dias lá ia eu de mão dada com o meu pai, descendo a rua das Joaninhas a olhar para as bancadas a ficarem compostas de gente , chegar à bilheteira e o meu pai comprar bilhete de sócio, entrar na central pelo túnel pequeno e olhar para aquele relvado cheio de história com o rio judeu em fundo.

Que bom que era ser dos primeiros a chegar  sentir aquele cheiro a relva, maresia, cal e curato, ver as pessoas a entrar no estádio ocupando os seus lugares e observando o aquecimento das equipas. Nesses momentos lembro de estar sempre a observar o aquecimento da equipa adversaria de comentar com meu pai "aquele guarda-redes é alto , vamos ter dificuldades..", lembro-me de estar igualmente sentado ao lado da minha avó que conhecia meio mundo que entrava na bancada e esperar sempre que o meu avô chegasse depois da ronda  pelo estádio falando com os amigos onde por vezes chegava já com o jogo a decorrer.

Lá estava eu pequeno mas com aqueles que sempre me ensinaram o que é ser Amorense , numa bancada onde já não conseguia mexer os pé do amontoado de gente que a preenchia , de olhar para o outro lado do rio e sentir que tinha de gritar golo para a minha voz lá se ouvir, tal como me ensinaram os antepassados. O meu Amora já despertava aquela paixão dentro do meu peito , tal como hoje iniciava os jogos de sul para norte  e estávamos sempre à espera do primeiro golo, os miúdos deitavam-se em cima do tecto do banco de suplentes e ali viam os jogos , a bancada pressionava o fiscal de linha como se não houvesse amanhã e aquele fervor Amorense fazia borboletas na barriga.

Eis que o Amora marca um golo, era altura de gritar bem alto e levantar cachecol de fazer explodir este sentimento sem igual "EU SOU AMORENSE"

E quando era jogos contra a Seixal?

Jogos contra o Seixal o sangue fervia logo de manhãzinha, parecia que nem tinha dormido, era ouvir histórias dos meus avós de acontecimentos entre adeptos dos dois clubes, era ver um estádio arrebentar pelas costuras e esperar que no final saísse de peito cheio e fossemos  de carro apitar para o seixal, se perdêssemos nem queria falar com ninguém mas tal como me ensinaram, a ganhar ou perder no final aplaudir sempre de pé os do nosso sangue , aqueles que honraram o azul da camisola com a certeza que no próximo jogo estaria outra vez lá no mesmo lugar para apoiar.
No final do jogo voltávamos ouvir a marcha do Helder , em caso de vitória era na certo ir jantar fora com a família  falando logo sobre o próximo adversário.


E os fins de semana a ver os escalões jovens ?

Mas falar de geração em geração e daquilo que me passaram , não posso esquecer os sábados e domingos de manhã no pelado a ver os infantis, os juvenis e os juniores , de ver jovens com a esperança de um dia estar no plantel sénior , porque na altura  quando jogávamos a bola da rua o sonho de qualquer um de nós era entrar para o Amora,  era poder defender o clube da terra.
Achava uma graça quando o meu avô dizia , "sabes... aquele miúdo que vai ali a correr com a bola é filho da Amora , manda com o pé para o lado , não engana a ninguém...", aiiii que saudades!!

Ser Amorense é passar o legado de geração em geração é saber que desde o berço temos uma cidade e um clube para defender , com humildade e respeito por todos, fazer sentir a todos os que nos viisitam que
entram e saem pelo mesmo caminho e que nunca esqueceram quem são os Amorenses.




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